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Jessica Stori: representação de um herói

Falar de pecados alheios, em tempos remotos, sob a ótica de uma ética atual, refinada pela passagem de quase dois séculos. Esconder-se nos volteios do tempo, mudo e assustado, incapaz da palavra justa. Factícia covardia.

“...É certo que o Historiador exorbitou no exercício de suas funções. Mas antes de apontar-lhe o dedo e lhe denunciar os métodos, deveria o Narrador se deter um pouco mais em acompanhá-lo em suas andanças por Londres, no resultado do seu garimpo, que trouxe a esta história toda uma iconografia – desenhou rostos aos protagonistas, deu cheiro e cor ao combate, trouxe ao proscênio os documentos inequívocos.

Entre esses documentos, a carta de Joaquim Barboza à filha Lurdinha, em que – por uma pequena fresta – pôde ele, Narrador, espiar um instantâneo da alma do velho militar. Coisa pouca, apenas um vislumbre, mas suficiente para desencadear toda a invencionice que se seguiu.

Enfim, entre as versões e versões de cada história, o Historiador elegeu a sua, centrada nos heroísmos, assunto para deuses; quem se dispuser que trate de olhar para as provisoriedades, assunto para homens...”

Assim se confessa, lá pelas tantas, o Narrador de “O Herói Provisório”, atormentado sob o peso de sua crise de consciência.

É sobre essa dualidade que a historiadora Jessica Stori se debruça, no belo artigo publicado na Revista Ideias. É a academia se ocupando com inquietações de ficcionista que, desta maneira, vai se municiando de motes para reflexão, ante as perguntas sem resposta que lhe vão povoando os dias. Penhoradamente, o Narrador agradece!

Etel Frota

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