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A jornada do Herói Provisório na FLIP 2017

A Flip 2017, por sua programação, era um catálogo da diversidade. Andar pelas ruas de Paraty durante esses dias foi percorrer um roteiro do ativismo. Falo do ponto de vista de quem fez um percurso muito peculiar, que na maior parte do tempo passou longe da Igreja e da Praça da Matriz, palco e telão da programação oficial.

Ao redor do umbigo d´O Herói Provisório, meu pé um pouco machucado me conduziu pelo calçamento irregular das ruas, de ponto a ponto, sem que eu pudesse tirar os olhos das pedras escorregadias. Nada de perambulações, desta vez. Valeu-me a protetora, divertida e enriquecedora companhia de Adriana Sydor – da Travessa dos Editores, reponsável pela editoração de “O Herói Provisório” - também ela escritora, lançando o seu “Salve o Compositor Popular”. Adriana foi um verdadeiro anjo da guarda, o que me possibilita poder agora declarar, orgulhosamente, que dei conta de todos os meus deslocamentos sem nenhum tombo e com apenas dois escorregões, com danos mais higiênicos do que ortopédicos.

Fui a única pessoa da Flip2017 que não viu, abraçou e/ou fez selfie com Lázaro Ramos, a grande estrela da festa, que circulou livremente por lá. Sua performance na abertura, com textos de Lima Barreto, o homenageado dessa edição, dizem, foi impactante. Tampouco encontrei lá meu querido parceiro André Mehmari que igualmente causou espécie com seu piano virtuoso.

A primeira e única vez em que já tinha ido à Flip, foi em 2013. Daquela vez, tudo acontecia depois da ponte, onde estavam a Tenda dos Autores, a livraria e o telão, com acesso pago. Pelo que me consta, sempre foi assim.

Foram surpreendentes as mudanças, nesta edição. O palco principal foi para a Igreja Matriz, e o espaço do telão, aberto e gratuito, para a Praça da Matriz. O Areal do Pontal, espaço que tradicionalmente concentrava a área VIP da festa, desta vez, foi ocupado por uma ‘sucursal’ do Museu da Língua Portuguesa, a tenda da Agenda 21 e a Feira de Economia Solidária com suas rodas de conversa, bibliotecas comunitárias, artesãos e seus produtos, música regional, culinária local. Por ali passamos boa parte do nosso tempo, na sexta e no sábado. Falamos dos nossos livros, conhecemos ótimas pessoas, cantamos junto com os foliões de Trindade, tomamos suco de jussara com banana e capim limão, aprendemos sobre economia solidária, comemos amendoim, no sarau Picareta Cultural dissemos nossos poemas e crônicas e ouvimos outros tantos. Segundo nos ensinaram, uma Parati popular e periférica pela primeira vez se fazia ouvir pela Paraty culta e cosmopolita. Alegria, arte sem contrato, cor, militância.

No domingo, foi a vez de O Herói pisar o outro lado da ponte. Na Casa Santa Rita da Cássia, participamos do “Lançamentão”, em que conhecemos e compartilhamos impressões, livros e cervejas com outros nove autores, sob os auspícios da nossa anfitriã Cássia Carrenho.

Em meio à nossa programação, tentamos acompanhar um pouco do que acontecia na festa. Não consegui entrar na casa da Folha, para o lançamento do livro Grandes Crimes, do qual participa meu amigo focassauro Eduardo Muylaert. Vimos um pedaço da conversa entre Maria Valéria Rezende, uma das mentoras doMulherio das Letras e Luaty Beirão, rapper angolano, e uma ótima mesa sobre Autoficção, entre os autores Marcelo Maluf (“A imensidão íntima dos carneiros”) e Jacques Fux (“Meshugá”). Desconsoladas, perdemos as duas chances que tivemos de ver Agualusa. Tampouco testemunhamos o depoimento contundente da minha quase conterrânea Diva Guimarães.

Desse rio caudaloso, bebemos pouco mais que uma gota. Na bagagem de volta, a alegria de termos estado lá, novos livros para ler, o gostinho de cravo e canela da cachaça Gabriela e a certeza de que, para O Herói Provisório, foi o primeiro passo de uma estrada comprida ainda a cumprir.

Imagens da FLIP 2017

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