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Buffet de Poesia na XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco

Era 1996. Eu dava expediente, como doutora Etelvina Frota, Clínica Geral, no Centro de Assistência ao Pessoal do Banco do Brasil. Cometia meus versinhos já há uns 3 anos, mas tratava de me resguardar do vexame de ser flagrada poeta, camuflando-os, numa pasta neutra, entre a Tabela Geral de Auxílios e a papelada de um levantamento de dados que eu fazia na época, computando diagnósticos e procedimentos dos exames periódicos de saúde daquele ano. Dois assuntos chatos o suficiente para me garantir que ninguém iria mexer ali.  Dava para contar nos dedos de uma das mãos as pessoas que sabiam das minhas veleidades artísticas.

Carlos Barros, esse sim, era poeta da gema. Useiro e vezeiro, de conhecimento público, como também o Edu Hoffmann, o Ulisses Galeto, artistas que estavam, provisoriamente, bancários sem que houvesse a menor dúvida sobre a que teriam vindo ao mundo. Eu os admirava, pelo talento e pela coragem. Eventualmente, médica, os atendia.

Não sei bem como, um belo dia o Carlos Barros me convidou para integrar um certo Buffet de Poesia que ele tinha acabado de inventar. A ideia era a seguinte – em uma recém inaugurada galeria na XV, ele exporia poemas avulsos de vários autores e uma capa única. Cada leitor montava seu próprio livro. Tenho ainda, em algum lugar, uma foto do dia da inauguração do Buffet, a gente feliz. Eu, confesso, um pouco constrangida.

Corta para 2017

Nenhum de nós é mais bancário. Não tenho certeza, mas acho que a única que seguiu no BB até a aposentadoria fui eu; minha covardia fechou sua gestalt. De Edu Hoffmann e Ulisses Galetto todo mundo que minimamente acompanhe a cena literária e musical de Curitiba, sabe. Carlos Barros voltou há muitos anos para o seu Pernambuco amado.

Há alguns meses, ele me escreveu, contando que estava reeditando o Buffet na Bienal do Livro 2017 no Recife. Guardador de rebanhos do passado, igualzinho a mim, tinha ainda os poemas de 1996. Me perguntou se eu topava.

É claro que eu estou lá, orgulhosamente! Sinto-me particularmente feliz por ter mantido os mesmos poemas, por constatar que não renego, 21 anos depois, nenhuma daquelas linhas diletantes que escrevi e guardava na gaveta.

A Bienal termina amanhã. Eu queria já ter falado disto, mas esta última semana foi uma tsunami que passou na minha vida.

Sucesso, Carlos querido! Longa vida ao nosso Buffet!

Etel Frota

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